sábado, 10 de março de 2012

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Foram 30 anos de preguicite aguda. Foram mais 2 anos de pura mentalização. Passei a barreira dos 30, já não tenho 20 e tal. Quem me olha na rua, não adivinha. Nota-se em pequenas coisas: na quantidade imensa de cabelos brancos que se vêm no topo da cabeça, pequenas rugas de expressão em volta dos olhos. Mas para notar isso, é preciso um olhar mais atento.

Desde que me lembro de poder escolher fazer ou não fazer exercício, que tenho optado pela segunda hipótese. Preguiçosa sim! E muito. Isso não é traço de personalidade que desapareça. Contorna-se, trabalha-se. Gosto muito mais de ler, de escrever, estar ao computador. Trabalho de sonho para mim é estar sentada ao computador o dia inteiro, com muitas coisas interessantes para fazer. Para lá caminho, não deixa de ser um objectivo de vida.

Tantos anos que já se passaram, tanto tempo desperdiçado a fazer, e a aprender, coisas que não me trazem conteúdo, realização, felicidade.

Passaram-se os 30, vieram os 31, e agora vamos entrar nos 32. A contagem decrescente para aos 40 está aí. Lembro-me de ter um mini ataque de pânico quando fiz 25 e me ocorreu que já só faltavam 5 para os 30. Agora só me faltam (praticamente) 8 para os 40. E não há filhos, não há cara metade, não há emprego estável (não posso culpar totalmente a crise por tal facto), não há auto-estima decente.

Decidi que já chega de inércia, de andar ao sabor da corrente. Quero ser feliz, quero olhar ao espelho e gostar do que vejo, quero não voltar a ter a sensação de "mais um dia que passou e eu podia ter feito tanta coisa". É devagar que se vai ao longe - lição aprendida com a tartaruga. E começamos por dar o primeiro passo. Baby steps, que é para não doer muito.


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